PROFESSORA ANDRÉA

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A invenção do alfabeto cirílico: letras que dividem um continente

O cirílico marca as fronteiras culturais e religiosas da Europa

Em 863, quando os missionários Cirilo e Metódio chegaram à Grande Morávia, a terra ainda estava crivada de flechas e esqueletos. Tinham sido convidados pelo príncipe Rastislav, um eslavo que havia sido posto no trono pelos francos, herdeiros do império de Carlos Magno, e se recusava a cumprir seu papel de marionete. Cinco anos antes, após décadas de combates sangrentos, pilhagens, traições e alianças instáveis, o príncipe havia conseguido um reino só para si, que englobava o território das atuais Repúblicas Checa e Eslováquia. Ele queria que os missionários, que eram irmãos, traduzissem a Bíblia para o eslavo. Cirilo e Metódio perceberam que não tinham instrumentos para a tarefa, pois alguns fonemas não se adequavam às letras ocidentais. Assim, decidiram que precisavam de um alfabeto próprio, que não usasse nem letras gregas nem latinas. Quando deram início à tarefa monumental, não tinham a menor ideia de que se tratava do primeiro passo para criar uma forma diferente de expressão - que acabaria dividindo a Europa para sempre.
Língua bárbara

São Cirilo e seu irmão criaram o glagolítico (do antigo eslavo glagol, "palavra"), com 41 letras e cujo A, simbolicamente, é uma cruz. O príncipe Rastislav queria ser cristão, mas dispensava a tutela dos francos, e o trabalho dos irmãos missionários era uma maneira de se aliar ao Império Bizantino. Constantinopla era a cidade rival que nunca aceitou completamente a primazia do papado em Roma. Pregar em língua bárbara e, pior ainda, usando um alfabeto incompreensível irritou os francos - que competiam com os ortodoxos pela conversão dos eslavos.

Os irmãos foram chamados a Roma para se explicar e ganharam as bênçãos do papa Adriano II para pregar aos eslavos em sua própria língua. Cirilo adoeceu e morreu em Roma, em 869, enquanto seu irmão continuou a missão entre os eslavos. Mas a situação não era mais a mesma. Rastislav havia sido capturado pelos francos e morreria na masmorra em 870. Ainda assim, Metódio prosseguiu desimpedido até o ano de sua morte, 885, quando ascendeu um novo papa, Estevão V, um italiano que assumiu o trono sem esperar a confirmação do imperador dos francos, Carlos III.

Numa manobra para se proteger, o papa cedeu à pressão dos francos e proibiu as missas em língua eslava e o uso do novo alfabeto, mas os padres continuaram trabalhando e criaram uma versão com formas mais familiares aos leitores de grego ou latim. Era o cirílico, batizado em homenagem ao santo que nunca escreveu uma única linha nele - e que acabaria substituindo o glagolítico.

O cirílico teria acabado se dependesse de Roma. Mas os fiéis eslavos se tornaram protegidos do clero bizantino. Em 1054, o patriarca de Constantinopla foi excomungado por um bispo enviado pelo papa. Pagou na mesma moeda e excomungou o bispo. Foi o Grande Cisma do Oriente, que separou para sempre as igrejas Católica Romana e Ortodoxa. Os eslavos que celebravam a missa em sua própria língua ficaram do lado dos bizantinos. Assim, surgiria a grande divisão do mundo europeu, espécie de "cortina de ferro" medieval, refletida em minúsculas diferenças teológicas, mas um abismo cada vez maior em cultura, alianças políticas, história militar e arquitetura. Após a expulsão dos discípulos de Cirilo e Metódio, os eslavos da Morávia se tornaram católicos e passaram a escrever usando o alfabeto latino, como ainda hoje fazem os checos e eslovacos da região, assim como os também católicos croatas e poloneses.
Mapa: Luciana Steckel

Atração do Ocidente

Cristãos ortodoxos, como ucranianos, russos, sérvios e bielo-russos, adotaram o cirílico. Mesmo os romenos, que falam uma língua latina, mas são ortodoxos, escreveriam em cirílico até o século 19. "Por uma questão de cultura e de religião, não haveria razões de passar do cirílico para o latino", afirma Aurora Bernardini, da Universidade de São Paulo (USP).

O cirílico tornou-se um elemento de identidade nos países ortodoxos. Mas é claro que o resto da Europa ainda causava fascínio. Quando o czar Pedro I (1672-1725) tentou modernizar a Rússia, o que, para ele, significava aproximá-la da Europa católica e protestante, forçou oficiais do governo e do Exército a cortar a barba e usar roupas ocidentais, chegando até mesmo a estabelecer um insólito imposto sobre barbas, em 1703, para forçar os cidadãos a aderirem à moda - entre cristãos ortodoxos, o pelo facial era símbolo de devoção, já que os monges faziam (e ainda fazem) votos de jamais se tosarem.

Em 1708, o czar aplicou suas ideias ao alfabeto, introduzindo a "escrita civil", em oposição à religiosa, tradicional. Pedro chamou tipógrafos da Holanda para uma grande reforma, que removeu várias letras obsoletas e acentos gráficos, e deu ao cirílico sua forma atual, com serifas e desenho geométrico, bastante próximo ao latino. Também foram introduzidas as minúsculas e, algumas décadas depois, a letra cursiva.

Com pequenas alterações, o cirílico de Pedro I era usado na Rússia durante a Revolução de 1917. Uma nova reforma foi imposta em 1918, removendo outras três letras. Mas alguns bolcheviques tinham planos mais ambiciosos. Um artigo anônimo no jornal Izvestia, em março de 1919, afirmava: "Devemos adotar o alfabeto latino, que é mais simples e elegante, da mesma forma que mudamos do calendário russo [juliano] para o europeu [gregoriano] e adotamos o sistema métrico". O autor, segundo o historiador romeno Ion Siscanu, era provavelmente Nikolai Bukharin ou Anatoly Lunacharsky, dois dos maiores ideólogos da revolução bolchevique. "A questão da latinização não era uma ideia nova na Rússia", afirma Siscanu. "Os debates sobre a escrita começaram no Império Russo."


Palavras nacionais

Em 1923, os inguchétios receberam uma notícia de Moscou. A língua do povo seminômade finalmente passaria a contar com escrita, no novíssimo "alfabeto de outubro", que seria imposto também aos vizinhos Azerbaijão, Cazaquistão, Ossétia e Chechênia. Essa escrita "revolucionária" vinha a ser apenas as velhas e familiares letras latinas. No começo dos anos 30, 50 das 72 línguas com versão escrita na União Soviética usavam o latino, e não o cirílico de Moscou. "O alfabeto latino era um instrumento para estender a revolução socialista a uma escala mundial", afirma Siscanu. O que os intelectuais soviéticos acreditavam é que a revolução, se quisesse ser internacional, deveria abandonar o cirílico. Não apenas as letras os isolavam de seus colegas continentais, mas o cirílico era também a escrita da Igreja Ortodoxa e do velho Império Russo, que chegou a tentar impô-lo à Polônia, no século 19.

Mas a revolução bolchevique, com o tempo, não quis ser internacional. Em oposição a Lenin e Trotski, Bukharin lançou a doutrina do "socialismo em um só país", que dizia que a União Soviética não precisava converter o resto do mundo para sobreviver, ideia abraçada por Josef Stalin. Em 1935, o Comitê Central circulou um memorando no qual a latinização foi denunciada como contrarrevolucionária, tentativa de aproximar a União Soviética da Europa capitalista e decadente e um jeito de sabotar a comunicação entre as repúblicas soviéticas. Inguchétios, cazaques, ossétios e 47 outros povos tiveram de aprender a ler de novo, desta vez em cirílico.

A imposição dura ainda hoje. Em 1999, o Tartaristão, uma república semiautônoma, declarou seus planos para migrar para o alfabeto latino. A resposta veio na forma de uma lei de 2002, impondo o cirílico a todas as repúblicas da Comunidade de Estados Independentes, o sucedâneo da URSS. O presidente Vladimir Putin chegou a afirmar que a adoção do latino seria equivalente à dissolução da federação. Hoje, por imposição, orgulho nacional ou mera conveniência, 252 milhões de pessoas usam o cirílico no dia a dia.


A letra monstro

Os russos têm razão em amar seu alfabeto. Afinal, foi feito sob medida para as línguas eslavas. Muitos dos fonemas que usam dígrafos ou trígrafos no alfabeto latino podem ser escritos com apenas uma letra em cirílico, como sh (), tch (), ts () ou ia (). O que não quer dizer que não existam problemas. A grafia do russo não é menos defectiva que a do português, isto é, as palavras não são sempre pronunciadas tal como são escritas. Uma letra em particular causava o martírio dos estudantes: o yat (), que tinha exatamente o mesmo som de ye () - "e" ou "ie". Os estudantes precisavam decorar longas listas de palavras ou versinhos sem sentido para saber o que era escrito com yat e o que era com ye, porque não havia regra. O linguista soviético Lev Upensky chegou a apelidá-la de "letra monstro". Foi abolida na reforma de 1918.

Personagem | Ludwig, o Rei Louco da Bavaria - Castelos e sonhos

Ludwig II, conhecido como o "rei sonhador", deixou para posteridade um dos castelos mais impressionantes de todos os tempos, o Neuschwanstein Castle, digno de um verdadeiro conto de fadas

Fonte: http://leiturasdahistoria.uol.com.br/ESLH/Edicoes/61/castelos-e-sonhos-ludwig-ii-conhecido-como-o-rei-290415-1.asp

Wikimedia Commons
"Eu quero continuar para sempre um enigma - para mim mesmo e para os outros". (Ludwig II)
Se existisse uma escola das excentricidades, com certeza, ele seria o mais propenso a mentor, mas Ludwig II imperou em outro cenário. Como rei da Bavaria em meados do século 19, ele não passou de um louco esquisito para a sociedade da época. Em vida, acrescentou pouco para a efervescente Alemanha que passava por um processo de unificação. Enquanto príncipe, mal era conhecido pelos súditos e cidadãos da Bavaria, mas foi a partir de 1864, com a morte de seu pai, o rei Maxilliano II, que o despreparado Ludwig II veio a emergir do seu casulo e expor o verdadeiro contos de fadas em que vivia desde criança. E assim, a Bavaria, por 22 anos, teve em seu comando um rei sonhador, conhecido e aclamado como o "Rei Louco da Bavaria".
Na Europa do século 19, das várias ocupações, batalhas e unificações, o jovem empossado rei aos 18 anos parecia alheio a tudo isso. No ano em que foi coroado, por exemplo, o mundo vivia uma verdadeira miscelânea, a Polônia enfrentava o Império Russo, a Espanha iniciava uma guerra na busca por recuperar algumas de suas colônias, enquanto nas Américas, paraguaios iniciava uma guerra baseada em grandes ambições e os Estados Unidos passava por uma reconstrução, tornando-se uma das maiores potências militares, políticas e econômicas do mundo. Mas, o jovem inexperiente parecia não se importar com a sua posição de novo rei da Bavaria e muito menos com o que estava acontecendo no mundo.
Mikaik
Vista do pátio superior do Castelo de Neuschwanstein
Creative Commons

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

DOCUMENTÁRIO: Castelos em Guerra

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=MjlFxl2csWE

Cem anos de batalhas - A mais longa batalha da história

Uma sucessão de conflitos com mais de um século de existência foi um dos fatores responsáveis pelo término do sistema feudal que já agonizava há muitos anos

Fonte: http://leiturasdahistoria.uol.com.br/ESLH/Edicoes/54/a-mais-longa-batalha-da-historia-uma-sucessao-de-272114-1.asp
Foto: Reprodução
Apesar do nome, a Guerra dos Cem Anos, como ficou conhecida a disputa entre França e Inglaterra, as duas maiores potências europeias do século 14, durou 116 anos. Segundo os historiadores, começou em 1337 e terminou em 1453. Mas não foi uma luta ininterrupta. Na verdade, aconteceram vários confrontos entre as duas monarquias com vitórias e derrotas para ambos os lados. 

De acordo com os dados históricos, o pavio para o início do conflito foi aceso quando, em 1328, o rei francês Carlos IV morreu sem deixar herdeiros. Eduardo III, então rei da Inglaterra, achou-se no direito de reivindicar para si o trono vago. Além de súdito, ele era sobrinho do rei morto, por parte de sua mãe. 

Entretanto, nobres franceses também queriam o mesmo. Sob a alegação de que o trono francês só poderia ser herdado por um homem (ou por um pretendente oriundo de uma descendência masculina), a assembleia francesa acabou escolhendo o conde Filipe de Valois, que se tornou Filipe VI (1328 a 1350). 

O rei Eduardo não gostou de ser preterido, justo ele que já era dono por herança das regiões da Gasconha (no sudoeste da França, faz divisa com o norte da Espanha), de sua vizinha Guiana (atual território da Aquitânia) e do condado de Ponthieu (ao norte da França). Mas o inglês não discutiu a decisão, reconhecendo Filipe VI como rei da França em 1329 em Amiens e prometendo- lhe obediência.
Foto: Reprodução
Ilustração representando a batalha de Azincourt que aconteceu em 25 de outubro de 1415 (Dia de São Crispim), no norte da França
Interesses comerciais 
 
Ainda havia outra zona de atrito entre os dois países. A região de Flandres, a nordeste da França, (atual Bélgica e Países Baixos) era um rico entreposto comercial. Afora seu intenso comércio, Flandres ainda era um importante centro produtor de tecidos, que comprava grande parte da lã produzida na Inglaterra. Ainda que a região fosse politicamente subordinada à França, os produtores flamengos, por interesses comerciais, posicionaram-se a favor dos ingleses, fato que desagradou a Coroa francesa. 

Apesar do nome, a Guerra dos Cem Anos, como ficou conhecida a disputa entre França e Inglaterra, as duas maiores potências europeias do século 14, durou 116 anos: de 1337 até 1453

A situação piorou quando o conde de Nevers, regente de Flandres, prestou juramento de obediência ao recém-coroado Filipe VI. Com medo que a economia da região entrasse em colapso, os flamengos reagiram. O rei francês, em apoio ao Conde Nevers, interveio no território. Em represália, Eduardo III suspendeu as exportações de lãs inglesas. Sem sua principal matéria-prima, os flamengos resolveram apoiar o monarca inglês que, novamente reivindicava o trono francês, repudiando o juramento de obediência que fez em Amiens. A partir desse ato, não havia outra saída entre os dois monarcas a não ser declararem guerra um contra o outro.

Primeiro período (1337 e 1364) 
 
Vitórias inglesas 
 
A França tinha uma população quatro vezes maior do que a Inglaterra. Em compensação, a monarquia inglesa era mais forte. Em 1337, Filipe VI começou o conflito ao atacar a Guiana (que pertencia legitimamente a Eduardo III) e exercer um intenso assédio ao litoral inglês até ser derrotado em 1340.
Foto: Reprodução
A cavalaria francesa sofreu em Aljubarrota (1385) outra pesada derrota contra as táticas de infantaria, depois de Crécy e Poitiers                                                                            

      

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Homenagem a Nelson Mandela

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=lnZxpWmQz4U

O poema Invictus, do poeta Inglês William Ernest Henley (1849-1903), foi escrito em 1875, publicado pela primeira vez em 1888 e citado por Nelson Mandela

De dentro da noite que me cobre,
Negra como a cova, de ponta a ponta,
Eu agradeço a quaisquer deuses que sejam,
Pela minha alma inconquistável.
Na cruel garra da situação,
Não estremeci, nem gritei em voz alta.
Sob a pancada do acaso,
Minha cabeça está ensanguentada, mas não curvada.
Além deste lugar de ira e lágrimas
Avulta-se apenas o Horror das sombras.
E apesar da ameaça dos anos,
Encontra-me, e me encontrará destemido.
Não importa quão estreito o portal,
Quão carregada de punições a lista,
Sou o mestre do meu destino:
Sou o capitão da minha alma.

Fonte:
http://www.centroespiritafxs.com.br/fxs/index.php?option=com_content&view=article&id=194:poema-que-inspirou-mandela&catid=34:orson&Itemid=53

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

PROFESSORES E ESTUDANTES DO CEM FLORÊNCIO AIRES PROMOVEM I MOSTRA FOTOGRÁFICA SOBRE PATRIMÔNIO HISTÓRICO



CATEDRAL NOSSA SENHORA DAS MERCÊS

Foi realizada durante todo o dia 26 de novembro de 2013 nos corredores do CEM Professor Florêncio Aires, a I Mostra de Fotografia de Patrimônio Histórico do Tocantins: Porto Nacional, fruto do Projeto Revelando Memória, onde os estudantes das turmas do 3º Médio Básico matutino (33.01, 33.02 e 33.03) realizaram uma série de fotografias das ruas, casas e prédios antigos desta centenária cidade.

CAETANATO


A iniciativa teve inicio a partir das aulas de História do Tocantins ministrada pela professora Andrea Siqueira de Melo e teve como objetivos: Conscientizar os estudantes para a importância da preservação do patrimônio histórico, sensibilizar, resgatar, preservar e divulgar o patrimônio histórico da cidade e compreender os conceitos de memória e identidade.



A ação pedagógica foi coordenada pelos professores Andréa Siqueira de Melo e Oidê Carvalho de Moura.



Professora Andréa Siqueira de Melo




sábado, 23 de novembro de 2013

CEM FLORÊNCIO AIRES CELEBRA CONSCIÊNCIA NEGRA





Sobre a coordenação dos professores Andréa Siqueira de Melo, Oidê Carvalho de Moura e Rosicléia Ferreira Cruz, o CEM Florêncio Aires realizou durante o dia 19 de Novembro de 2013 uma série de comemorações ao dia da Consciência Negra.
Pela manhã, foi ministrada uma oficina de penteado afro aos estudantes e a noite no Salão de Eventos o desfile da Beleza Negra além de Capoeira, Tambores, Sússia, Axé e exibições de vídeos sobre a temática.
A diretora da unidade escolar Lúzia Maria Tavares Maciel Luz Costa fez a abertura da programação acompanhada de Vita Parrião (Secretária Municipal de Cultura de Porto Nacional) e das representantes da Delegacia Regional de Ensino de Porto Nacional Rita Angélica Pereira Lima (Recursos Humanos) e Raquel de Oliveira (supervisora).
A comemoração do dia da Consciência Negra é uma ação do PPP- Projeto Político Pedagógico e teve como objetivos: Homenagear Zumbi dos Palmares, Resgatar a História da África e seus descendentes, Elevar a autoestima da população negra e promover a tolerância racial.