PROFESSORA ANDRÉA

sábado, 27 de julho de 2013

Qual Deus está morto?

Uma das frases mais controversas de Nietzsche é  ”Deus está morto”, no entanto, ela não corresponde a um ataque ao Deus cristão, como pensa a grande maioria das pessoas. De fato, Nietzsche fez severas críticas ao cristianismo em suas obras, contudo, esta frase é na verdade um ataque à era moderna.
Se na época medieval a questão de Deus era o ponto central, na era moderna ocorre uma transição, uma passagem da visão cristã de Deus para uma nova percepção do mundo e do homem, não mais como um ser criado por Deus, mas um ser dono de si que a tudo investiga com a razão e a experimentação. O Renascimento, que definiu o início da modernidade, foi marcado pelo uso da razão, pela negação da visão medieval e pelo surgimento de um novo Deus: a ciência. A modernidade conseguiu dessacralizar o mundo e não deu ao homem nada em troca, a não ser a crueza de uma vida sem encantos.  O que morreu na modernidade foi a dimensão mítica e divina que sempre acompanhou todas as grandes culturas. Na era moderna essa dimensão se esvaiu em nossas investigações filosóficas e científicas.
Para Nietzsche a era moderna criou uma expectativa desmedida e ingênua, baseada na razão e na ciência, que tirou do homem sua profundidade, legando apenas um conjunto de objetivos mesquinhos e fúteis. “Deus está morto” é também um ataque à própria filosofia de seu tempo, influenciada por Descartes, pai da filosofia moderna que colocou o homem (o “eu”) no centro da investigação filosófica e definiu a natureza como um mecanismo sem mistérios. Nietzsche afirma então que o homem moderno não sabe mais para o que se voltar. A modernidade falhou em dar um significado à vida e  nossa dimensão divina morreu com nossas falsas expectativas, com nossa “busca pela verdade”. A modernidade matou nossa dimensão divina e nos tornou seres pequenos,  egoístas, covardes e assustados.  Nesta perspectiva, Deus está morto.

Alfredo Carneiro

Um comentário:

  1. Nietzsche, assim como Carl Marx e outros pensadores ateus, tinham uma pseudo sabedoria. A única exceção foi Albert Einstein. A obra de Nietzsche é bonita, mas sem significado. Não o levem a sério...

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